quarta-feira, 28 de julho de 2021

AVISO DA FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO

                      Comunicado do presidente da Fundação Vingt-un Rosado


Dix-sept Sobrinho, ao lado de banner do pai, Vingt-un.

Venho por meio deste comunicar:

1. A Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense está situada no terceiro andar na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, localizada na praça Dorian Jorge Freire, 17 - Centro - Mossoró.
2. Estamos reorganizando todo o acervo lá. Continuamos dispondo para pesquisa, empréstimo, vendas e doação, dependendo da disponibilidade da obra.

3. Um site das instituições citadas está disponível no www.colecaomossoroense.org.br

4. Continuamos publicando obras pelo selo da Coleção Mossoroense.

5. Raniele Alves continua nos prestando seus serviços.

6. Eriberto Monteiro é o nosso editor e quem deve ser contatado na Biblioteca Ney Pontes Duarte no interesse de publicações.

7. Estamos aguardando sua visita virtual ou presencial. Como disse tantas vezes Vingt-un Rosado: "A Coleção Mossoroense está viva".

Cordialmente,
Dix-sept Rosado Sobrinho,
Presidente da Fundação Vingt-un Rosado.





terça-feira, 20 de julho de 2021

LANÇAMENTO DO MENINO DO PORÉ

         


 Lúcia Rocha, em foto de Célio Duarte


       Discurso da organizadora do livro Memórias de Milton Marques de Medeiros - O Menino do Poré, em decorrência do lançamento remoto, em 9 de julho de 2021, com transmissão ao vivo no Canal do Assinante da TCM e no Canal Lúcia Rocha Oficial no Youtube:

      "Cumprimento o presidente da ACJUS, Wellington Barreto, demais presentes e membros que participam de forma remota.
     Desde já, quero agradecer a Deus, pela oportunidade que me deu para, juntamente com vocês, promovermos o lançamento desta autobiografia em memória do aniversariante do dia, Milton Marques de Medeiros, alguém que pertenceu a uma geração de homens de vergonha. 
      Quero agradecer a Zilene e filhas, especialmente, Stella e Talliana, que aqui estão representando as irmãs, cunhados e os sete sobrinhos. Elas me deixaram muito à vontade para organizar essa obra. Nada foi censurado, nada foi questionado, não se mexeu em uma vírgula.
       Para mim, é motivo de satisfação, pois nem nos meus melhores sonhos, isso estaria acontecendo e, para honra e Glória do Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele permitiu que a trajetória de vida de Milton Marques de Medeiros não passasse em branco.
       Zilene e as filhas sabiam dos feitos do Menino do Poré, mas não com tantos detalhes.
       Os genros e netos terão a oportunidade de conhecer, dito pelo próprio sogro e avô: de onde veio, como veio, como viveu sua infância, as brincadeiras que brincou, seu rendimento escolar e a relação com colegas e professores ao longo da vida. A chegada a Mossoró na puberdade para dar continuidade aos estudos e a migração para João Pessoa, em busca da realização pessoal através da educação. 
       Portanto, quero dizer que a biografia tem o dom de surpreender as famílias e amigos do biografado com acontecimentos e fatos que à época em que aconteceram, ninguém se deu conta, porém, somente a biografia permite os detalhes, o processo. 
        Na ultima terça-feira, participei do programa de Lilian Martins, aqui na FM 95, quando ela fez uma pergunta inteligente: Lilian queria saber se fui surpreendida com algo que teria acontecido a ele e não sabia. Na hora, não soube responder, pois Milton Marques de Medeiros teve uma vida rica demais em conteúdo. Pois bem, depois, pensando, cheguei a conclusão que a mais surpresa foi saber a quantidade de casas que ele morou, da primeira infância até casar com Zilene.
        Foram seis lares que ele dividiu quarto, vivendo de favor, rumo ao sucesso profissional, para mim, foi algo surpreendente e mais ainda que ele nunca, jamais tocou no assunto, nunca reclamou, jamais levou o assunto para as filhas, jamais disse que as filhas tiveram melhor sorte do que ele.
         Isso lembrou o dia em que conheci Nelson Mandela, no Rio de Janeiro, há exatos trinta anos. Eu nem sabia que ele estava no Brasil e estávamos hospedados no mesmo hotel, por acaso, encontramo-nos no elevador e, procurei em seu semblante, marcas de quem viveu mais de vinte anos num presídio. Não encontrei, era um homem bem humorado, manso, tranquilo, carismático, sorriso nos lábios. Eu não acreditava no que estava vendo.
         Se hoje doutor Milton estivesse aqui, agora sabedora do quanto migrou de casa em casa até ter a sua própria, com seu quarto, sua cama, armário para colocar sua roupa, sua rede, com certeza, procuraria olhar bem para ele como fiz com Mandela e procurar resquício de uma infância difícil, sem pai e sem vida confortável, eu encontraria o mesmo semblante de sempre, porque ele nunca externou as dificuldades, os embates, ou mesmo os aperreios da vida, em nossa linguagem popular. 
        Pelo contrário, ele registra o carinho que recebeu das mães que teve ao longo da vida. E por que estou dizendo isso? Porque depois de tanto mudar de casa, incluindo a Casa do Estudante de João Pessoa, ele nunca passou uma imagem de coitadinho, nunca sofreu de coitadismo. Nunca reclamou sua situação de garoto com vida simples, que carregava latas de água para abastecer a casa da mãe, numa Upanema sem água encanada.
   
        Milton Marques de Medeiros sempre demonstrou ser um homem feliz e dizia que sua maior satisfação era ser professor universitário, era assim que se identificava quando encontrava alguém no aeroporto ou numa aeronave, quando perguntavam sua atividade profissional.  Ele disse isso aqui, em 2004, para um grupo de estudantes, era o início da TCM e não havia nem estúdio, contou que havia dado entrada na aposentadoria na UERN e receberia mil reais por mês, no ano seguinte, foi eleito reitor da mesma universidade.
         Portanto, curtam as aventuras do Menino do Poré, gente boa, do meu bem querer, um homem de muitas atividades, que soube honrar sua história. Que soube criar as filhas pelo exemplo, sem precisar necessariamente dizer as escolhas que elas precisavam fazer.
         Fico feliz por entregar essa autobiografia para que Bianca, Maria Luíza, João, Iven, Eduardo, Luigi e Miltinho venham a ler sua ascendência, por letras escritas pelo avô.
         Essa história não poderia passar em branco ou ficar resumida a jornais velhos no Museu Histórico Lauro da Escóssia.
         Boa noite, minha mãe; boa noite, Milton Marques; boa noite, Nilo Santos; boa noite, Lacerda; boa noite, João Carlos; boa noite, Francileno Góis, onde quer que vocês estejam.

 
 

domingo, 18 de julho de 2021

O MENINO DO PORÉ, EM UPANEMA

 


Lúcia Rocha e Geovânia Gomes, em Upanema


        Neste sábado, dia 17, houve sessão de autógrafos do livro Memórias de Milton Marques de Medeiros - O Menino do Poré, na cidade de Upanema, terra natal do médico, professor, ex-reitor da UERN e empreendedor biografado.
     A jornalista Lúcia Rocha, organizadora da autobiografia em memória, esteve em Upanema, juntamente com sua assistente, Geovânia Gomes, concluinte do curso de Letras, na UERN, que também participa como digitadora e revisora do livro.


                                              Lúcia Rocha com Cleito Nery                                               

        Pela manhã, houve sessão de autógrafos na Loja TCM, no centro da cidade e quem esteve no local para garantir seu exemplar foi o historiador e escritor Cleito Nery, autor de livros sobre Upanema, residente em Fortaleza.
       À noite, na Fazenda Poré, de propriedade da família Freire houve um encontro familiar com a presença da empresária, Zilene Medeiros, viúva de Milton Marques de Medeiros, com a filha, a médica Talliana Mirelli, além de familiares da região e da capital do estado, de João Pessoa e Brasília. 

        Foi celebrada uma missa na  Capela de Santo Antônio, pela alma de Francisco de Assis Frutuoso Freire, aposentado da Polícia Rodoviária Federal, vítima de Covid, aos 74 anos de idade. 
     
                       


Capela de Santo Antônio

                      



                       
               Doralice Medeiros e Berclis Oliveira

  Após a missa, foi realizada uma sessão de autógrafos, momento em que familiares puderam conversar, obedecendo protocolo sanitário, no local havia displays contendo alcool gel em abundância. 

Zilene Medeiros, prefeito Renan Fernandes e Lúcia Rocha

O evento também contou com a presença do advogado, Renan Fernandes, prefeito de Upanema, que recebeu um exemplar das mãos de Zilene Medeiros, natural da cidade.      

                                                                  Cenário para autografar 


Zeza Fernandes e Zilene Medeiros

A noite no Poré será exibida no Canal 10, da TCM, brevemente. A jornalista Zeza Fernandes entrevistou os presentes.



 Todo o evento foi preparado e organizado pelo casal, Socorro Beiruth Freire e odontólogo, Danilo Freire, o 'prefeito' do Poré, que juntamente com os filhos, José Carlos Beiruth Freire e Guilherme Beiruth Freire, colaboraram previamente para o sucesso da reunião em familia, que contou com serviço de bufet. 

Doutor Danilo Freire, responsável pelo sucesso dos eventos no Poré 
 
      
Ex-prefeita Maristela Freire

Ex-vereador e líder, Hermes Freire

                                Lúcia Rocha e Jonacy Freire, amiga de infância de Milton Marques


Consuelo Freire, veio de Brasília

Maria Luíza Freire


José Jonas Freire


Sétima Freire


O influencer digital, Walker Leal

Centro Social Milton Marques

         A Fazenda Poré, está localizada às margens da BR 110, a 6 km de Upanema no sentido Mossoró-Upanema.
Fotos de Geovânia Gomes, Danilo Freire, Socorro Beiruth Freire e Edilva Freire.          

sexta-feira, 16 de julho de 2021

O MENINO DO PORÉ

 


 Aula Magna da Saudade, da ACJUS e lançamento do livro


 
Memórias de Milton Marques de Medeiros – O Menino do Poré


Fotos: Célio Duarte


      Foi
lançado na sexta, dia 9 de julho, uma autobiografia em memória do médico, professor e ex-reitor, Milton Marques de Medeiros, intitulada Memórias de Milton Marques de Medeiros – O Menino do Poré.
      O lançamento remoto aconteceu em estúdio do Canal 10, da TCM, em evento da ACJUS – Associação de Ciências Jurídicas e Sociais, sob a presidência do autor e advogado, José Wellington Barreto.
       Milton Marques de Medeiros era natural de Upanema, migrou para Mossoró na puberdade, estudou em escolas públicas e no tradicional Colégio Diocesano Santa Luzia. Filho de tabelião e de uma dona de casa, órfão de pai na primeira infância, começou a trabalhar cedo, iniciando sua relação com as letras como revisor de gráfica. Quando atingiu a maioridade, foi encaminhado para a capital paraibana, onde cursou a Faculdade de Medicina. Tempos depois, também graduou-se em Ciências Jurídicas.
        Milton Marques exerceu alguns cargos públicos, como Presidente do IPE - Instituto de Previdência do Estado – e Secretário de Saúde de Mossoró. Foi vice-presidente da Associação Norteriograndense de Psiquiatria; Coordenador Técnico do Departamento de Psiquiatria da Federação Nacional de Saúde e Membro da Comissão de Psiquiatria do Conselho Nacional de Saúde.
     Na área empresarial, foi pioneiro no tratamento de doenças mentais e fundou o único hospital psiquiátrico do interior do estado, a Casa de Saúde São Camilo de Léllis, classificado como hospital modelo no Nordeste. A Casa de Saúde foi municipalizada e, recentemente, passou a ser Hospital Psiquiátrico Milton Marques de Medeiros.
     Pioneiro também em produção de ovos com a Granja São Camilo, atividade que trocou pela indústria salineira. Na área de comunicação, foi sócio-fundador da Rádio Princesa do Vale, sócio-fundador e acionista da Rede Tropical de Comunicações.
       Em novembro de 2002, seu pioneirismo foi longe quando ousou criar a TCM – TV Cabo Mossoró, com um exclusivo canal local, atualmente, presente em dez cidades da região Oeste potiguar, além de três emissoras de rádio FM.  
       Em 2004, assumiu o cargo de Diretor da Faculdade de Medicina e no ano seguinte, foi eleito Reitor da UERN – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
       Colaborador de diversas publicações, assinou coluna na Gazeta do Oeste e lançou algumas obras, dentre as quais a trilogia Déjà Vu.
       Casado com a prima, Zilene, pai de três médicas e uma odontóloga, era leitor voraz e entusiasta do empreendedorismo, também foi investidor no ramo do agronegócios e na indústria de cerâmica.
        Na capital paulista, em 2006, participando da NEO TV – feira que reúne emissoras de TV a cabo de todo o país, Milton Marques recebeu da ABTA - Associação Brasileira de Televisão por Assinatura - o Prêmio Operador Padrão, ficando em primeiro lugar na categoria criatividade, com o programa Minha Escola na TV, exibido pelo canal local da TCM. Na ocasião, Milton Marques foi homenageado como um empresário que investe em responsabilidade social.
        Em Memórias de Milton Marques de Medeiros – O Menino do Poré, organizado pela jornalista Lúcia Rocha, reúne passagens, em ordem cronológica, ditas pelo biografado, através da mídia impressa ou eletrônica ao longo de sua vida.
         Milton Marques de Medeiros faleceu em abril de 2017.


      A TCM, fundada pelo biografado, preparou um evento remoto tendo a capa do livro no cenário 


Viúva de Milton Marques, Zilene, com as filhas, Stella e Talliana, com a jornalista Lúcia Rocha

                    Lúcia Rocha, deputada estadual, Isolda Dantas, e a acadêmica, Zilene Marques


Lúcia Rocha, organizadora da biografia, com advogado, Marcos Araújo, da ACJUS

    Lawrence Amorim, presidente da Câmara Municipal de Mossoró, com esposa, e assessor, Regy Carte


Secretário de Cultura de Mossoró, Etevaldo e Wellington Barreto, presidente da ACJUS

                                              Dra. Talliana, Zilene e Stella Maris

                                                Zilene faz um carinho na foto ampliada



Lúcia Rocha lembrou os feitos do Menino do Poré








sexta-feira, 2 de julho de 2021

UPANEMA ADOTA LIVRO DE AUTORA MOSSOROENSE

                                        Prefeito, Renan Fernandes, com um aluno
  

        A Prefeitura Municipal de Upanema distribui mais de trezentos livros com conteúdo de Educação Infantil com qualidade de reconhecimento nacional e de autoria de uma escritora potiguar.
        No município de Upanema, distante 274 km de Natal, os alunos da Educação Infantil da rede pública municipal de educação estão sendo beneficiados com a distribuição de livros na nova edição da coleção Tic-Tac, publicados pela Editora do  Brasil, de São Paulo, de autoria da pedagoga potiguar Vilza Carla, também pós-graduada em Psicopedagogia com vários anos de experiência lecionando em escolas das redes particular e pública, nas áreas de Educação Infantil e Ensino Fundamental.
       A ação chama a atenção diante da qualidade do conteúdo apresentado nesse material, que é dos mais adotados em nível nacional e de autoria de uma mossoroense.
       O jovem prefeito de Upanema, Renan Fernandes, em primeiro mandato, iniciou a entrega dos exemplares no Centro Municipal de Educação Infantil Professor Severino Ramos Martins de Moura - CMEI - em ato simbólico que contou com a participação da titular da Secretaria Municipal da Educação, Cultura e Desporto, Marilene Cruz, e da diretora do CMEI, Gorete Campina.
       O CMEI é a maior unidade de Educação Infantil de Upanema, contando com duzentos alunos matriculados, de 4 e 5 anos de idade.
       No total, serão distribuídos mais de trezentos exemplares de livros, beneficiando também os estudantes das escolas da zona rural.
       O gestor municipal destacou sobre a ação: "Agora, mais do que nunca, nesse cenário de retomada das atividades com o avanço da vacina e recuo da pandemia, a educação vai precisar das melhores ferramentas possíveis para compensar os prejuízos causados pelas paralisações”.
        Os livros de autoria de Vilza Carla podem ser encontrados em diversas plataformas digitais à venda, como Ponto Frio, Amazon, Mercado Livre, Estante Virtual, além de portais de grandes livrarias. 

domingo, 27 de junho de 2021

COMPLETUDE



Vanda Maria Jacinto
 Escritora, autora do livro Rabiscando os Caminhos da Prosa
 v.m.j@hotmail.com 

     Era meados do mês de novembro. O ano? Mil novecentos e sessenta e três. Um final de tarde que, para muitos, seria mais um dia como tantos outros. Para ela, no entanto, tinha um significado todo especial.
      Trazia nas mãos seu tão desejado passaporte para a felicidade plena. Em breve, voltaria para casa. Sonho que acalentava já há alguns meses – aliás, desde que ali viera morar, na casa da tia e madrinha, para concluir os estudos primários.
       Na nova morada, não só as pessoas, mas os costumes também eram diferentes. Sinceramente, a tristeza a definia, pois sentia falta dos irmãos, dos afazeres de casa, que tomavam boa parte do tempo, do auxílio, que prestava à mãe junto as costuras. Enfim, desejava ardentemente a volta à antiga rotina.           Na casa da tia, não havia barulho de crianças – na verdade, a única criança era ela própria. Não havia roupas espalhadas, nem sapatos embaixo da cama, para recolocá-los no lugar certo.
       O chão sempre encerado – parecia um espelho – as colchas das camas não tinham nenhuma ruguinha – porque adulto não se deita a todo instante na cama. Os tapetes, além de alvíssimos, bem esticadinhos; a televisão só ligada, quando um deles o fazia – o que significava assistir ao que bem pretendiam – embora traga na lembrança que assistira a alguns seriados do Zorro e Tonto – uma versão mais antiga do Zorro atual. Pense como ela gostava.
       Em casa, não havia televisão… Sentar na poltrona? Nem pensar! Nada, absolutamente nada, ficava fora do lugar naquela casa. Tinha medo até de transitar pelos cômodos, sentia-se intrusa, procurando um lugar que a coubesse, sem se arriscar a desarrumar os espaços tão bem organizados. Embora nem soubesse o significado da palavra ‘intrusa’, hoje é consciente de que era assim que se sentia e sabia que tal sentimento limitava suas idas e vindas, torturando-a incessantemente.
        Muitos foram os aprendizados dessa época, inclusive sua percepção do gigantesco medo que sentia no escuro. Em casa, a mãe sempre deixava uma luz acesa para eventuais excursões noturnas, mas a madrinha não admitia essa besteira. Dormir no escuro era um dos seus temores, cujo trauma a perseguiria até bem pouco tempo.
        Ir à escola era uma das coisas que sempre gostou de fazer, mas vinha percebendo um prazer inusitado em estar lá. Talvez por ser uma das poucas coisas que restara da sua antiga vida.
        Estudava no turno intermediário; assim sendo, quando voltava para casa, todos já haviam almoçado. Mal engolia a comida e corria para lavar a louça – uma das suas atribuições.
        Logo após, livre de outros afazeres, corria para se isolar entre os vasos de plantas, da área de entrada da casa. O seu franzino corpo se acomodava de tal forma entre as samambaias que dificilmente alguém a acharia ali. Esse era, sem dúvida, o seu esconderijo, lugar preferido, quando o assunto era o dever de casa e os seus devaneios. Impressionante como sempre levou a sério os sonhos.
        Ali, escondida de todos, o ritual se concretizava dia após dia. Depois de chorar sozinha, lamentando a ausência da sua mãe, acalmava o coração e começava a contagem regressiva dos dias que se seguiriam, até voltar ao lar. Aos poucos se voltava para as tarefas escolares.
        Assim, nesse novo roteiro, permitia-se dar asas à sua imaginação e suportar as mudanças ocorridas em sua vida.
        Mas, sem dúvida, esse era um dia especial. Em segredo, lia pela enésima vez, o Boletim Escolar, onde a querida professora – Dona Wilma – havia registrado, com tinta azul, sua aprovação do quarto ano primário. Fato que, além de selar o final de mais um ciclo, significava, também, o encerramento do ano escolar, a volta para a casa dos pais, os festejos de Natal – embora simples, enfim era tudo o que precisava naquele instante. Sem perceber, o sorriso tomou conta do rostinho. Naquela tarde não houvera choro, mas a mais pura alegria transbordava do coração.
       Na semana seguinte, não haveria aula, porém, um mutirão, incluindo pais e alunos, para a limpeza geral da escola – lógico que ela se incluíra. A festa de colação era um dos mais importantes eventos da escola.
       Feliz da vida se viu pronta para a formatura que aconteceria no início de dezembro. Prendadíssima, a mãe já reformara um vestido branco, e confeccionara um casquete com papelão recoberto com cetim e filó finíssimo, onde um bordado com vidrilhos, canutilhos e pequenas pérolas, davam o acabamento. Um verdadeiro primor.
       Tão entretida estava que nem percebera as horas passarem. Despertou com o chamado estridente da madrinha. Alertando para o banho e o jantar que seria servido a seguir.
       Juntou apressadamente o material escolar, guardou o boletim dentro de um livro e correu para atender a solicitação da madrinha.
       Ao dobrar uma esquina do quintal, trombou sem querer com a avó materna – pessoa querida –, que ouvia os seus lamentos e os tentava amenizar. Inquirida sobre a pressa, olhou nos olhos da avó e disse: “Vó, passei de ano!”. Num abraço apertado, a avó retribuiu a boa notícia, talvez uma lágrima contida também se fizera presente naquele instante, pois ela, mais que ninguém, sabia do desejo daquela criança.
        Entendia também que todas as situações que a menina vivera ali, ou seja, a casa da madrinha, os novos costumes, a saudade, tudo fora importante para a conclusão daquela etapa. Mas, sem dúvida, na cabeça da menina, voltar para casa, para a mãe, para os irmãos – mesmo sem TV, mesmo sem os luxos daquela casa, era tudo o que mais desejava. O amor do lar era o que de fato importava.

Uma verdadeira história de amor

Por Marcos Araújo ​Era o ano de 1953. Governava o Brasil o populista Getúlio Vargas. O país tinha 53 milhões de habitantes. Pela exigência do crescimento econômico e da tendência nacionalista do chamado Estado Novo, estradas eram abertas. Pessoas às centenas eram contratadas para trabalharem naquilo que popularmente chamavam de rodagens. Aqui no Estado, o DER empreendia ligar Mossoró à Luis Gomes, numa estrada construída a braços humanos, sem qualquer aparato tecnológico ou mecânico. Foi por essa época que um magricelo acariense baixado há pouco tempo do Exército, com parentes fixados no Sítio Salva Vidas, listou-se entre os trabalhadores recrutados pelo Batalhão de Engenharia, a quem cabia a execução dessa obra. Acompanhado de três jegues, se aventurou nessa empreitada. Chapéu de palha, rosto curtido de sol, punha-se ele, com os seus companheiros de lida (os jumentos “brinquedo”, “bolinha” e “moreno”) a jogar barro e colocar água na pavimentação de uma pista que ligaria a cidade de Pau dos Ferros à José da Penha. Mal sabia ele que Deus, por desígnios da arquitetura celestial, empreendia ligar dois corações. ​Não muito distante do local de trabalho daquele jovem, morava uma senhorita de sorriso largo, faceira, recém-chegada de uma temporada de estudos na cidade de Mossoró. Seu trabalho também era intenso, auxiliando o seu pai e sua mãe nas lidas do campo e do gado. ​À noite e nos finais de semana, jovens de toda a região se dirigiam ao Terreiro de seu Augusto Holanda, Padrinho daquela moça, onde aconteciam animadas “valsas”. Em companhia de João de Peba e de Arimatéia, o jovem acariense dava uma de seresteiro, querendo engalanar-se para as incautas moças ouvintes. Foi por ali que se conheceram e às escondidas começaram um namoro. Ciosos de suas diferenças, apadrinharam-se de um rapaz paraplégico (Antídio Gurjão) para servir de mensageiro das juras e dos escritos de amor. Na cadeira de rodas do paraplégico, ou entre os seus dedos, eram deixados bilhetes um a outro destinados. Este arroubo juvenil durou por mais de um ano. ​Numa certa noite, entenderam que não era possível mais sufocar o sentimento e, mesmo com a reprovação do pai dela, deveriam se unir. Foi preparada a fuga. Como a canção que ele tantas vezes entoara, numa noite de luar encantador, madrugada afora, rumaram ao desconhecido, mão na mão, e um destino incerto a depender apenas do amor e da paixão. No bolso do trabalhador fujão, apenas uns trocados. Nas coisas da moça, duas mudas de roupas. ​Foi no Catolezinho, proximidades da cidade de José da Penha, que o casal foi encontrar guarida e abrigo amigo. Se impensado foi o gesto, retorno não mais haveria. Numa cerimônia simples, na tarde do dia 27 de abril de 1955, na Igreja de São João Batista, na cidade de Riacho de Santana, fizeram juras sacramentais de um amor recíproco. Incompreendidos pela fuga e o casamento às escondidas, sofreram os augúrios de lutarem contra o rigor do pai da noiva, que rejeitava a união da filha a um homem desconhecido. Não arrefeceram... O amor era maior do que a intransigência de “Seu” Raimundo Rodrigues. ​Ele, um boêmio e cantor nato, sábio e à frente do seu tempo, anuiu à vanguarda da esposa em independência no pensamento e liberdade de mando doméstico. Tiveram nove filhos, que por sua vez geraram perto de 40 netos. Os filhos foram educados entre sermões e cordadas no “lombo”, para quando a palavra não mais surtia efeito. Com os netos, foram lenientes. Sempre foram muito falantes e interativos dentro – e fora – de casa. Já idosos e confinados, implicavam um com o outro até por distração. No jogo de cartas para passar o tempo, se acusavam reciprocamente de “roubar” no jogo. ​Essa “aventura” de amor já se mantém há 67 anos. Não foi possível comemorar (e para eles, relembrar) a data pela primeira vez em todo esse tempo. Ela vinha padecendo de Alzheimer, em progresso lento, conservando reservada lucidez. Ele tinha muita saúde, até que sofreu um AVC vésperas da data-aniversário de casamento, comprometendo sua cognição, fala e atividade motora. Agora, convivem e coexistem quase sem palavras. O mutismo de um, adoece ainda mais o outro. Ela queixa-se o tempo todo da doença que o torna indiferente. Ele, acompanha as reclamações com o seu olhar compreensivo de um eterno apaixonado. A enfermidade não suprimiu a consciência da dependência sentimental. Ainda há brilho e luz na troca de olhares que só o amor proporciona. Como filho, vivenciei algumas brigas entre eles, o que é perfeitamente natural. Como vivente nessa experiencia humana, nunca testemunhei amor tão intenso quanto ao deles dois, meus pais, Ary e Clotilde, que protagonizaram (e ainda, relativamente, protagonizam!) uma verdadeira história de amor.